Depois de 17 anos da morte de Carlos Batista, júri é desmembrado
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O caso do advogado Carlos Batista, que se arrasta na Justiça há quase 17 anos, continua indefinido. No julgamento marcado para esta terça-feira (02), no Fórum de Vitória, na Cidade Alta, o juiz da Primeira Vara Criminal da Capital, Marcos Soares, determinou o desmembramento do júri dos executores e dos acusados de mando: o ex-prefeito da Serra, Adalto Martinelli, e o empresário Alberto Ceolin.
Com isso, Adalto Martinelli e Alberto Ceolin foram dispensados e o julgamento dos dois foi adiado, mas sem data definida, provavelmente o ex-prefeito e o empresário só sentarão no banco dos réus em 2009. Um dos suspeitos de executar Batista, o ex-soldado da Polícia Militar, Gilberto Antônio Piedade, está sendo julgado neste momento. Outro acusado, o pistoleiro João Henrique Filho, o Joãozinho, continua foragido. Ele fugiu da Casa de Custódia de Vila Velha em 2000 pela porta da frente do presídio.
O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) entendeu que o processo não deveria ser desmembrado, alegando que "as testemunhas são importantes, mas não imprescindíveis, já que nenhuma delas teria verdadeiro conhecimento dos fatos" e que os acusados seriam 'agraciados' com a medida.
O juiz Marcos Soares rebateu o MPES dizendo que não entendia o contexto das aspas quando utilizado a palavra 'agraciados'. E justificou: "o motivo do desmembramento hoje ocorrido foi por conta da lei que, apesar da polêmica e da repercussão do crime, deve ser aplicada. Jamais compactuei e não irei compactuar com manobras que sirvam para tumultuar o processo. Quanto ao tempo que decorreu para que chegássemos a esse ato, este magistrado só manifesta o seu lamento. Com o respeito que sempre foi devido ao Ministério Público, interpelo a impugnação e mantenho o desmembramento conforme decisão", consta na parte da determinação do juiz anexada aos autos.
O filho do advogado Carlos Batista, Fabrício Martins, acompanhou o início do julgamento, mas ficou frustrado com a decisão do juiz. "Incomodou bastante porque meus avós ficaram sem um filho e eu fiquei sem um pai. Então espero que os mandantes e os supostos executores sejam condenados e que seja feita justiça. Eu temo pela impunidade".
O advogado do ex-prefeito Adalto Martinelli, Ricardo Buzelin, disse que o pedido de desmembramento se deu por conta da ausência de uma testemunha de defesa entendida pela defesa como imprescindível. O advogado do empresário Alberto Ceolin, Maurício Vasconcelos, também alegou ausência de testemunhas de defesa e negou ter feito manobra para protelar o processo.
"Na próxima sessão serão julgados os demais réus e isso não foi por nenhuma manobra procrastinatória, nenhuma medida ilegal, mas por força de um mandamento expresso do Código de Processo Penal. Simplesmente, o juiz cumpriu o que determina a lei", alegou.
Entenda o caso
Adalto Martinelli e os empresários Alberto Ceolin e Antonio Roldi (falecido em 2001) foram acusados de encomendar a morte do então prefeito da cidade, José Maria Miguel Feu Rosa, que foi morto por pistoleiros quando chegava à sua fazenda no município de Itabela, na Bahia, perto de Porto Seguro.
Adalto Martinelli era, na época, o vice-prefeito e assumiu a chefia do Executivo municipal. O crime ocorreu há 16 anos e Martinelli chegou a ficar preso por oito anos em virtude da acusação, a maior parte na delegacia da Praia do Canto, em Vitória.
O advogado Carlos Batista foi contratado para defender os acusados de mandar matar o político e, por conhecer detalhes do crime, teria sido morto por queima de arquivo.
O policial Civil Derneval Pereira, o Russo, também era um dos acusados de executar o advogado. Ele morreu em 1993, um ano após o desaparecimento de Batista. Depois do crime, ainda ocorreram diversas mortes de testemunhas, intermediários e executores.
Guido Nunes - Redação Gazeta Rádios e Internet
02.12.2008
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