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Ingá divulga resultados do monitoramento dos rios do Estado

O Instituto de Gestão das Águas e Clima (Ingá) divulgou nesta sexta-feira (31) os resultados da segunda campanha do Programa Monitora, que avalia a qualidade das águas dos 77 maiores rios do Estado.

De acordo com o Ingá, na comparação entre os dois primeiros resultados do programa, houve algumas melhoras na qualidade da água de alguns pontos de coleta, a exemplo das bacias do Paraguaçu e Recôncavo Norte. Nessas regiões, estão localizados grandes centros urbanos como Feira de Santana, Recôncavo, Salvador e Região Metropolitana.

Esta alteração nos resultados, segundo o Ingá, pode estar relacionada ao aumento da vazão dos rios devido ao aumento do volume de chuvas. Isto porque as coletas foram realizadas em diferentes regimes hidrológicos.

“São necessários estudos mais pontuais para saber a causa dessas mudanças, mas quanto maior a vazão dos corpos d'água, maior a capacidade que eles têm em diluir os materiais poluentes”, explicou Wanderley Matos, diretor de Monitoramento do Ingá.

Em alguns pontos nas bacias do São Francisco, no Contas e em alguns rios da bacia do Recôncavo Norte, foi detectada contaminação por metais pesados, acima do que a legislação permite, através da análise de sedimentos. Chamou a atenção dos técnicos a alta taxa de alumínio solúvel em toda Bacia do Submédio São Francisco.

Dos 12 pontos analisados na região, todos apresentaram concentrações deste metal bem acima dos padrões do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Em um ponto situado no município de Glória, próximo à jusante (após) da Barragem Itaparica, a concentração de alumínio solúvel chega a 1,6 miligramas por litro, enquanto a quantidade máxima aceitável pelo padrão do Conama é de 0,1 miligramas. Foram encontrados também os elementos cloretos, cálcio e ferro, principalmente na margem direita do Rio São Francisco.

Os técnicos do Ingá explicaram que, para saber as causas da grande concentração deste metal na Bacia do Submédio São Francisco, também é preciso estudos específicos para este fenômeno. “Isso pode ser proveniente de características naturais do solo, como a alta produção do material pelas rochas e pelos sedimentos, ou da ação do homem, através de indústrias químicas”, explica a consultora do Ingá, Maura Pezzoto.

Ainda assim, de acordo com o Ingá, os pontos mais críticos estão nas áreas urbanas, tendo como principal fonte de poluição os esgotos domésticos. os resultados apontaram que nas bacias onde há maior população residente, há também um impacto maior nas águas, com mais resíduos e esgotos. O tamanho do rio, de sua vazão, a densidade populacional e o uso intensivo da água na região também interferem nos resultados. Rios de grande vazão tem maior capacidade de diluição da poluição.

Novidades - Uma das novidades desta segunda etapa é que, além dos parâmetros físicos, químicos e biológicos, dentro da metodologia denominada Índice de Qualidade da Água (IQA), foi feita também a análise da presença de metais pesados, pesticidas, agrotóxicos, sedimentos, e Índices de Estado Tróficos (IET), além de indicadores orgânicos como, por exemplo, séries de nitrogênio amoniacal, de nitrogênio orgânico, de carbono total e de fostato nas bacias onde os usos da água apontavam a possibilidade de contaminação.

Esta segunda campanha foi feita de maio até agosto em 207 pontos em diversos trechos dos rios, da nascente à foz, inclusive em trechos onde os rios passam dentro de municípios populosos.
Técnicos do Ingá, em parceria com técnicos do Centro de Tecnologia Industrial Pedro Ribeiro (Senai/Cetind), coletaram amostras de águas dos rios das bacias do Extremo Sul, Leste, Recôncavo Sul, Inhambupe e Subaúma, dos Rios Pardo e Jequitinhonha, das Contas, dos Rios Sauípe, Imbassaí e Pojuca, dos Rios Jacuípe, Joanes e Ipitanga, Itapicuru, Paraguaçu, Subaé, São Paulo, Corrente, Grande, Salitre, Verde e Jacaré, Vaza-Barris, Real, Calha do Médio São Francisco, Submédio São Francisco, Paramirim, Onofre e Carnaíba de Dentro.

O objetivo do Programa Monitora é ter uma série histórica com o diagnóstico da qualidade das águas das macro-bacias hidrográficas baianas para integrar o banco de dados de recursos hídricos do Estado, para subsidiar o governo com informações técnicas para a aplicação de políticas públicas de controle da poluição e recuperação dos rios. O investimento no programa é de R$ 6,7 milhões até 2010.

Confira os resultados das principais bacias hidrográficas do Estado:


Recôncavo Norte e Inhambupe

Na Bacia Hidrográfica do Recôncavo Norte e Inhambupe, a qualidade das águas, com base na análise dos resultados dos parâmetros do IQA e do IET, foi classificada como “boa” em todos os pontos avaliados nos Rios Imbassaí, Inhambupe, Jacuípe, Sauípe, Subaúma, e em cinco dos 14 pontos dos do Joanes e Ipitanga - responsáveis por 40% do abastecimento de Salvador e Região Metropolitana).

Em dois dos três pontos da Bacia do Rio Pojuca e em sete dos nove pontos da Bacia do Subaé, as águas também foram classificadas como “boas”.

Comparando os resultados das duas campanhas, os valores de IQA apontaram qualidade “boa” em um maior número de pontos da segunda coleta em relação à primeira. A maioria dos pontos com IQA de qualidade regular e ruim ocorreu na Bacia dos Rios Joanes e Ipitanga, onde foi detectado um ponto de qualidade “péssima”.

Na mesma bacia, a qualidade da água também foi comprometida nos afluentes, principalmente em relação aos resultados dos parâmetros biológicos e de nutrientes. Foram encontradas concentrações elevadas de substâncias orgânicas (clorofórmio e bromofórmio) e de alguns metais pesados.

Em Salvador, o Programa Monitora analisou três pontos: Lagoa do Abaeté, Rio Ipitanga, após a barragem Ipitanga, que abastece a capital, e rio Jaguaribe. Isto porque, segundo o Ingá, a responsabilidade de analisar a qualidade das águas dos pequenos rios é do município. Para isso, foi firmado um convênio de cooperação técnica entre o Governo do Estado, através da Embasa, Secretaria do Meio Ambiente e Ingá, o município e a Ufba. Os dados serão integrados ao programa quando estiverem concluídos.

Paraguaçu

Na Bacia do Rio Paraguaçu, a avaliação indicou que os rios estão com qualidade boa, embora alguns afluentes apresentaram problemas por causa da baixa vazão e pela descarga de esgotos domésticos. Entre os rios comprometidos estão trechos dos Rios do Peixe, do Jacuípe e do Curimatai. Todos com evidências de contaminação, de acordo com os resultados. O Rio Paraguaçu apresentou melhores condições, devido a sua vazão, conforme explicou a coordenadora do monitoramento do Senai/Cetind, Joana Paixão.

Submédio São Francisco

Embora as águas da Bacia do Submédio São Francisco tenham apresentado forte presença de alumínio sólido, de uma maneira geral, os resultados analíticos das amostras coletadas indicaram que os recursos hídricos estavam em "boas condições", para outros parâmetros. De acordo com os valores do IQA e do IET, a qualidade da água na bacia apresenta "boas condições". Segundo o IQA, a água foi classificada como de "qualidade boa" em 10 pontos de amostragem e ótima em dois.

Leste

A qualidade das águas da Bacia do Leste, onde tem rios que passam por importantes cidades do sul do Estado, como Itabuna e Ilhéus, foram classificadas como "boa" em nove dos 11 pontos avaliados. Em dois pontos do Rio Almada, um no município de Uruçuca e outro na Lagoa Encantada, em Ilhéus, a classificação de qualidade da água para IQA passou de "ótima" para "boa" na segunda campanha.

Nos demais pontos, a qualidade melhorou ou se manteve similar à primeira fase. Em um ponto não avaliado anteriormente, o Rio Cachoeira, em Itabuna, a qualidade da água foi classificada como "ruim". Neste ponto, os padrões de referência para oxigênio dissolvido e coliformes termotolerantes não foram atendidos.

Bacia do Contas

Os resultados do IQA mostram que, entre os 15 pontos de monitoramento da Bacia do Rio das Contas contemplados na segunda campanha, três foram classificados em qualidade “ótima”, 10 em “boa”, um em qualidade “ruim” e um em “regular”. Comparando-se os valores obtidos nas duas campanhas, houve o aumento dos valores do IQA em cinco pontos. Em três destes, houve mudança de classe, de qualidade “boa” para “ótima”.

A qualidade da água do rio Jequiezinho foi a pior e teve classificação “ruim”, segundo o IQA. As elevadas concentrações de coliformes termotolerantes e de nutrientes contribuíram para esta dignóstico. Em relação ao índice de estado trófico, os resultados indicaram que o ambiente aquático na maioria dos pontos monitorados na segunda campanha apresentou baixo potencial para a ocorrência de fenômenos de eutrofização, a exceção dos pontos do Jequiezinho.

Real e Vaza Barris

Outra bacia que apresentou um ponto com qualidade "péssima", segundo o IQA, foi a dos Rios Real e Vaza Barris. Foi em um trecho do Rio Real, no município de Heliópolis. No mesmo rio, só que em no município de Itapicuru, a qualidade passou de "péssima" (na primeira campanha) para "regular" (na segunda). Nos dois pontos, foram detectados parâmetros com alta concentração de OD, DBO, Fósforo Total e Coliforme Termotolerante. Dos outros sete pontos analisados na bacia, um apresentou qualidade de IQA "excelente" e os outros seis "boa".

Extremo Sul

Os resultados analíticos das amostras coletadas no Extremo Sul indicaram que os recursos hídricos dessa RPGA encontravam-se em "boas condições" nesta avaliação. De acordo com os resultados do IQA, analisados na Bacia do Extremo Sul, dos 17 pontos de monitoramento contemplados na segunda campanha, quatro foram classificados como de qualidade “ótima”, 12 como de qualidade “boa”, e um como “regular”. Destes, sete se referem a pontos analisados pela primeira vez.



Por A Tarde Online
01.11.2008